Um Dia em Veneza

Finalmente saiu do papel um projeto que há muito tempo eu cultivava: criar um canal no YouTube. Ele é recente e eu ainda tô pegando o jeito das coisas, mas vai ser uma ótima ferramenta para eu compartilhar ainda mais conteúdo com vocês, principalmente os vídeos que eu faço durante as minhas viagens.

Ainda estou aprendendo a mexer com YouTube e o editor de vídeos, mas hoje eu soltei um pequeno filmezinho com algumas imagens que eu fiz durante o dia em que fiz um bate-e-volta até Veneza. Espero que vocês gostem e acompanhem. Se inscrevam no canal para receber todo o conteúdo em primeira mão – e não se esqueçam de dar um joinha!

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Bate e Volta à Veneza Saindo de Milão

Eu já contei aqui que tenho família em Milão e, a primeira vez que estive na cidade, aproveitei para visitá-los e fazer alguns programas turísticos por lá antes de seguir para Florença – a menina dos meus olhos e o motivo pelo qual eu estava na Itália. Porém, aconteceu da gente ter um sábado livre por lá, sem grandes programações. Veneza não estava no roteiro, mas ficava logo ali, então a gente resolveu aproveitar a oportunidade e ir conhecer essa cidade que dispensa apresentações.

Chegar à Veneza a partir de Milão não é nem um mistério, e a maneira mais fácil é, certamente, tomando um dos trens que saem das principais estações da cidade. A Itália possuem duas grandes companhias ferroviárias: a Italo, mais nova e com trens mais modernos, e a Trenitalia, que é mais tradicional e com maior oferta de destinos. Nós acabamos optando pela segunda, porém, sem qualquer motivo específico – apenas pelo fato de que suas passagens estavam mais baratas para o dia que tínhamos livre.

Enquanto decidíamos o roteiro da viagem, já percebemos que havia esse sábado “sem nada para fazer“. Conversando com a minha amiga que viajaria comigo, resolvemos fazer esse bate e volta para Veneza pois, apesar da cidade não estar nos nossos planos, ainda assim poderíamos aproveitar a oportunidade para conhecê-la. Então, logo que fechamos o destino do bate-e-volta, comecei a pesquisar passagens nos sites das companhias – e essa é a minha maior dica: quanto antes você pesquisa passagens de trem dentro da Itália, mais chance você terá de achar bons preços. Ainda mais para Veneza, que se mostrou um destino bem caro!

Comprei as passagens online, no site da Trenitalia, utilizando um cartão de crédito internacional. As passagens chegaram certinhas no meu e-mail e foi só imprimir e levar no dia. Nosso trem saiu da Centrale, a estação de trem central de Milão. Chegamos com uma hora de antecedência, compramos um café, entramos para a área de embarque e ficamos aguardando os telões mostrarem de qual plataforma sairia o nosso trem. Assim que encontramos, nos dirigimos ao vagão informado nas nossas passagens, onde também havia o número da poltrona de cada uma, já que as selecionamos ainda durante a compra.

Ao todo são cerca de 1:30h de viagem até Veneza. O trem é bem confortável: climatizado, com TV, wifi, banheiro e opções de comidas e bebidas a bordo. Chegando na cidade, existem duas grandes estações: Veneza Mestre, localizada na porção continental, e que só é aconselhável para quem tá hospedado por ali ou já tem algum “compromisso” na região, e Veneza Santa Lucia, que é de fato a estação que nos vem à mente quando pensamos na cidade, pois assim que saímos dos portões, já damos de cara com o grande canal e uma das muitas belas pontes espalhadas por Veneza.

De lá, basta seguir a multidão. Ou ir se perdendo pelas charmosas ruelas – você decide. Para quem tem pouco tempo, como nós, há plaquinhas informando o caminho para a Piazza San Marco, o principal e mais icônico ponto turístico na cidade. Pelo caminho, você passará por muitos cantinhos charmosos de Veneza, como a Ponte Rialto, que é imperdível e também está devidamente sinalizada nas ruelas dessa cidade mágica. Para voltar à estação não há segredo: siga as muitas plaquinhas que apontam a direção inversa, sentido Veneza Santa Lucia. Rapidinho você estará lá.

O bate e volta pode ser muito cansativo e, de longe, é a maneira ideal para se conhecer uma cidade. Eu, para ser sincera, gosto de viajar devagar e ter um bom tempo em cada cidade que visito, mas Veneza, que não estava nos planos, foi uma exceção do destino. Confesso que eu fui, simplesmente para riscá-la da minha lista. Nunca tive grandes interesses na cidade. Mas acredito que foi exatamente para isso que essas poucas horas serviram: me provar que eu estava redondamente enganada. E, por isso, está aqui a promessa de que eu voltarei – dessa vez, com muitos e muitos dias disponíveis!

Para conferir os horários disponíveis dos trens, preços e outras informações, acesse os sites das companhias:
Trenitalia: www.tremitalia.com.br
Italo: www.italotreno.it

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1984

Meu primeiro livro da Rory Gilmore Bucket List foi o aclamado 1984, do indiano/britânico Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo George Orwell. Ele, que é considerado como um dos maiores cronistas do século XX, encabeça a lista dos autores mais vendidos da época. E ainda que não tenha rolado muito planejamento, eu acabei escolhendo-o por ser o primeiro na lista, sem perceber que ele é o tipo de livro ideal para lermos durante esse momento negro que estamos vivendo, tanto na política brasileira, quanto no cenário mundial.

O livro se passa em uma era “pós-revolução”, onde o mundo é dividido em 3 grandes territórios. O principal deles, e onde toda a história acontece, é a Oceania, que é composta pelo continente Americano, as ilhas Britânicas, a Islândia, o sul do continente Africano (abaixo do rio do Congo), a Austrália e a Nova Zelândia. Os demais “países” são a Eurásia, composta pelos países da antiga União Soviética e da Europa Continental; e a Lestásia, formada por países da Ásia e alguns arquipélagos do pacífico.

Controlado pela figura do Big Brother, ou Grande Irmão em português, a Oceania vive sobre o lema de três frases super simples, mas de amplo significado: “Guerra é Paz | Liberdade é Escravidão | Ignorância é Força”. São somente algumas palavras, mas seu poder é inexplicável. Ela atormenta a mente, não só dos personagens fictícios que vivem sob esse lema, como também a nossa, leitores, que estamos passando atualmente por um momento de extrema direita e pensamentos radicais. Confesso que durante toda a leitura esse discurso me incomodou profundamente.

Lógico que isso só faz sentido dentro do contexto da história, que é contada aos olhos Winston Smith, um funcionário do governo da Oceania que trabalha como uma espécie de escritor. Em seu cargo ele é responsável por reescrever a história de forma que todo o material físico disponível à população beneficie o Grande Irmão. Por exemplo: se foi divulgado que não haveria cortes no fornecimento do arroz e, no fim das contas, ocorre um racionamento, Winston é uma das pessoas responsáveis por reescrever a primeira notícia, além de destruir todas as provas que aquilo, de fato, não foi o que estava sendo veiculado anteriormente.

E assim é o dia a dia do seu trabalho, reescrevendo livros, matérias em jornais, publicações em revistas… Até que, certo dia, ele começa a imaginar se todos os horrores vividos pela população no período pré revolução, de fato, é verdade. Ou se tudo foi apenas uma invenção do suposto Grande Irmão para controlar a Oceania e seu povo, mantendo-os no escuro e sob sua política.

Na atual era Trump que, em tempos de globalização, não só os Estados Unidos está vivendo, mas todo o mundo (vide Brexit), jornais e revistas estão trazendo de volta o boom que foi este livro quando lançado. O New York Times declarou que 1984 é daqueles livros que você “tem que ler” em 2017, e agora estreou na Broadway uma adaptação da história para os palcos. Ela já esteve em cartaz em Londres anteriormente, mas a era atual reviveu o espetáculo, que ficará em cartaz na cidade de Nova York até meados de 2018.

Quem tiver a oportunidade, não só deve ler o livro, como assistir a peça. E depois me contem o que acharam!

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Oslo Haraldsheim

Minha hospedagem durante os 10 dias em que estive em Oslo foi um albergue muito bacana localizado em uma área mais afastada do centro e bem residencial. Afinal, éramos uma turma de cerca de 25 novos funcionários do Médicos Sem Fronteiras e estávamos ali para participar de uma série de treinamentos fundamentais para quem está entrando na organização. Uma localização que nos permitisse focar no que estava acontecendo ali dentro, assim como desligar do mundo externo, era imprescindível. E, por essas e outras, acredito que não teriam escolha melhor que o Oslo Haraldsheim.

Confesso que minha primeira experiência com o hostel não foi das melhores: cheguei na cidade no fim do dia, com o céu já bem escuro. Era fevereiro, em pleno inverno Norueguês. O chão da cidade estava coberto de neve e uma garota gelada caia por toda Oslo. Do aeroporto, peguei um combo de trem + ônibus e, com um pouco mais de uma hora, eu desembarcava na parada supostamente em frente ao hostel. Acontece que ele está no meio de uma espécie de parque, o qual eu tive que atravessar com uma mala de rodinhas.

Imagines só: neve + chuva + gelo, além do pequeno morro no qual o albergue se encontra. Tudo isso resultou em uma dificuldade extra na hora da chegada. Na estrada que liga a via principal ao hostel, e que estava teoricamente limpa, uma fina camada de gelo se formava por conta da chuva, então eu acabava deslizando, ainda que estivesse com sapatos apropriados. Já no campo coberto de neve, eu caminhava melhor, porém a mala de bordo, super pequena e compacta, ganhava um peso a mais causado pelo atrito e pelo fato de que, vez ou outra, ela simplesmente afundava.

Cerca de 30 a 40 minutos depois, quando eu finalmente cheguei na recepção, ri de desespero. Deve ser uma espécie de eliminatória, para conferir se realmente estamos prontos pros desafios que este trabalho nos trará. Mas rapidamente me recuperei e fiz o check-in. Uma outra brasileira que também participaria desse treinamento, já estava por la no nosso quarto, que seria dividido com mais duas meninas. Nós havíamos trocado contato anteriormente e já tínhamos combinado de fazer algo nessa primeira noite, pois era uma das únicas que teríamos livre e queríamos aproveitá-la. Conhecemos também mais 4 pessoas que já tinham chegado nesse dia: dois italianos, um egípcio e uma sul-africana – que também seria nossa roommate. No fim das contas, acabamos ilhados no albergue, comendo cup of noodles e batendo papo sobre nosso novo e excitante trabalho.

Ainda que a primeira noite nossos planos tenham sido um fracasso: pedimos um uber, que veio nos buscar, porém não conseguia subir a ladeira. O carro deslizava e, por um segundo, eu achei que o motorista teria que largá-lo ali, pois não havia a opção de “voltar para trás”. Depois nós rapidamente aprendemos que, na Noruega, a melhor coisa é contar com o transporte público, que é extremamente eficiente. E assim, mesmo com neves mais fortes nos dias seguintes, ainda conseguimos sair nos nossos tempos livres. Aliás, apesar de afastado do centro, chegávamos à estação principal e perto de todas as atrações em apenas 10 ou 15 minutos de ônibus – não foi nada impossível.

Porém, tanto a localização, quanto a estrutura do hostel são ideais para treinamentos, palestras, cursos ou, até mesmo, para o tipo de viajante que gosta de ter um certo sossego quando chega na hospedagem. Com vários auditórios, refeitórios e pátio externo, o albergue não só recebe os funcionários da nossa organização que passam por treinamentos na cidade, como diversos outros grupos europeus que se reúnem em Oslo. Inclusive, havia um grande número de jovens franceses durante o período que estávamos por lá.

Na nossa diária estava incluída o Café da Manhã e, creio eu, as demais refeições devem ter sido providenciadas a parte juntamente com o hostel, que possui cozinha profissional e um chef a disposição. Tudo que comemos por lá estava maravilhoso e eu aproveitei para experimentar algumas iguarias típicas da Noruega. Nós almoçamos, tomamos café da tarde e jantamos no albergue praticamente todos os dias, além de termos a disposição café, chás e petiscos para os intervalos durante o curso, que era extremamente puxado e acontecia das 7 da manhã até as 10 da noite. Outros hóspedes, assim como os demais albergues do mundo, contavam com uma cozinha a parte onde eles cozinhavam suas próprias refeições.

O pátio externo, no verão, provavelmente é a maior atração do local. Tem mesas e bancos propícios para piqueniques, além de um extenso gramado com campo de futebol. O xadrez gigante, que estava encoberto pela neve, dá o toque de charme e, provavelmente, é a parte mais fotografada do hostel. Porém, no inverno, essa beleza não está visível, o que não quer dizer que não tivemos a nossa cota de lindeza durante os dias por lá. Após uma grande nevasca que durou a noite toda, acordamos com o pátio e o parque bem branquinhos. Era um dia que teríamos que ir até o escritório local da organização e todos caminhamos encantados, tirando fotos e sorrindo muito. Foi certamente a mais bela manhã nesses dias em Oslo.

Quanto ao nosso quarto, ele era super simples, mas contava com tudo necessário para o nosso conforto. Tinham duas beliches, uma mesinha entre elas, quatro armários com tranca, além de banheiro privativo. Ao lado de cada beliche haviam duas tomadas e, cada cama possuía uma luz própria, para quem quisesse ler até mais tarde sem incomodar os colegas. Falando nisso, além de mim, da outra brasileira e da médica sul-africana, ainda tivemos uma enfermeira canadense como companheira de quarto nesses 10 dias – e demos certo logo de cara, transformando a experiência em algo ainda mais legal. Hoje somos todas amigas e mantemos contato sobre tudo, desde a vida até o trabalho de cada uma de nós pelo mundo.

E não foram só elas que me marcaram nesses dias em Oslo. Por lá, tive a chance de interagir com todos os participantes do treinamento. Acho que o “confinamento” proporcionou este presente: deixamos de focar no mundo externo, para focar em nós mesmos e nas nossas relações interpessoais – algo que é de extrema importância dentro da organização. Criamos um grupo no facebook onde todos atualizam suas trajetórias dentro do MSF e já saímos de lá planejando o reencontro. Quem sabe quando comemorarmos um ano dessa deliciosa experiência?

Oslo Haraldsheim
Haraldsheimveien 4
Oslo – Noruega
Tel: +47 22 22 29 65
haraldsheim.no

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