3 Dias em Ouro Preto: O Nosso Roteiro

Para os três dias que passamos em Ouro Preto, montei um roteiro compacto, mas inteligente. Com ele foi possível passar pelas principais atrações da cidade, sem muita correria. Quem conhece sabe que uma vida não seria o suficiente para explorar tudo que a antiga colônia de Vila Rica tem a oferecer, mas dá sim para priorizar os pontos de maior importância na história local. Por isso, ao chegarmos na cidade, fomos direto ao Brumas Hostel, onde ficaríamos hospedadas, deixamos nossas malas, e já saímos para explorar.

Devido a proximidade do albergue com a Praça Tiradentes, lá foi a nossa primeira parada. Passamos pelo Centro de Atendimento ao Turista e pegamos um mapa gratuito de Ouro Preto, além de informações sobre os principais pontos da cidade que gostaríamos de visitar. O rapaz que nos atendeu foi bem solícito, marcando os locais no mapa e nos dando algumas dicas extra, como preços das entradas e horários de visitação.

De lá, seguimos para o belíssimo Museu da Inconfidência, que mudou bastante desde a primeira e última vez em que o visitei, lá em 2002. Como o nome já diz, ele conta a história da inconfidência mineira – com muitos detalhes, objetos e principalmente, a história da luta dos chamados inconfidentes – que hoje encontram-se todos enterrados dentro de uma sala especial do museu. Foi um dos locais que mais amei visitar e pretendo escrever um post todinho só sobre esse tour maravilhoso.

O passeio pelo museu pegou a tarde todinha do nosso primeiro dia e, quando saímos de lá, já estava escurecendo na cidade e todas as atrações estavam fechadas. Aproveitamos que Ouro Preto tem uma seleção ótima de barzinhos e fomos tomar uma cerveja deliciosa numa das ruelas que desemborcam na Praça Tiradentes. Depois voltamos ao hostel, tomamos um banho, saímos para jantar e fomos dormir cedo, para aproveitar bem o dia seguinte.

Nosso segundo dia na cidade foi dedicado à iniciar nossa peregrinação pelas 4 principais igrejas de Ouro Preto e os seus arredores. Começamos, obviamente, pela “mais central” e mais próxima do nosso hostel: a Igreja São Francisco de Assis. Como chegamos bem cedinho, ela ainda não estava aberta, então aproveitamos que em frente à belíssima igreja existe uma das mais charmosas atrações da cidade – a Feirinha de Pedra Sabão. Pelas inúmeras barraquinhas é possível comprar objetos de decoração e alguns souvenires de viagem produzidos com esse material que é bem típico da região.

Depois de muito perambular pela feirinha, entramos na igreja que é uma das maiores obras do mais célebre nome da cidade: Aleijadinho. Em estilo Barroco e com traços do Rococó, ela possui um altar banhado a ouro e um teto afrescado assinado por ninguém menos que o Mestre Ataíde. Sua beleza e riqueza em detalhes foi retratada pelo mundo por Germain Bazin e o nosso Mario de Andrade. Em 2009 ela entrou para a lista das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo e, quando a cidade foi tombada como Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO, a igreja foi destacada como uma obra-prima da arquitetura brasileira.

Saindo da igreja e voltando em direção à Praça de Tiradentes, avistamos a Casa de Tomás Antônio Gonzaga: inconfidente de origem portuguesa que morreu durante seu exílio em Moçambique. Porém, sua mais notória faceta é a de poeta, uma vez que ele é famoso por sua obra prima Marília de Dirceu. A casa que um dia abrigou a Ouvidoria de Vila Rica foi residência de Tomás dos anos 1782 a 1788, quando ele ocupava o cargo de ouvidor-geral da província. Foi nessa época que, segundo alguns estudiosos, a casa sediava algumas das muitas reuniões secretas dos inconfidentes, enquanto eles planejavam a separação de Minas Gerais da Coroa Portuguesa.

{Tomás e sua Marília}

As inúmeras salas da casa estão abertas a visitação, assim como o belíssimo pátio externo. Os móveis datam da época da inconfidência e muitos quadros retratam, principalmente, Tomás e sua Marília – alias, de uma das sacadas do segundo andar, é possível avistar a casa onde um dia a moça morou. Era lá que, de longe, o poeta contemplava sua amada. Mas a riqueza deste lugar, de fato, são seus funcionários. Apaixonados pela história da cidade, eles descrevem com uma sabedoria ímpar toda a trajetória da construção ao longo dos anos, assim como a vida e morte de seu célebre morador. Atualmente a casa, além de ser um pequeno “museu”, também funciona como sede da Secretaria de Turismo, Indústria e Comercio de Ouro Preto.

De lá nós seguimos para a Escola de Farmácia da Universidade Federal de Ouro Preto. Ela, que foi a primeira instituição a ter o curso de Farmácia no Brasil, é uma unanimidade quando se trata da profissão que eu escolhi como minha. Além disso, nesse antigo prédio localizado no centro histórico da cidade e onde um dia ocorriam as aulas, hoje se encontra o Museu da Escola de Farmácia, que abriga objetos, livros e produtos químicos dos acumulados nos quase 2 séculos da faculdade. Não é bem o tipo de lugar tem-que-ir, mas para quem é da área ou tem curiosidade, certamente vale a visita.

Bem ao lado da Escola de Farmácia estão mais dois pontos importantíssimos da cidade. Um deles é o belíssimo Teatro Municipal de Ouro Preto, que foi construído entre 1746 e 1770, e é considerado o teatro mais antigo do continente americano. Com um interior todo em madeira, a construção é uma joia rara que remete aos tempos de Brasil Colônia e, ainda hoje, a conhecida Casa de Ópera, que é o lar da orquestra local, abriga inúmeros espetáculos que se apresentam ao longo do ano na cidade.

Bem em frente ao teatro está a escadaria da belíssima Igreja Nossa Senhora do Carmo, mas uma das 4 igrejas do nosso roteiro. Com estilo predominantemente Rococó, ela teve sua construção encomendada ao importante carpinteiro Manoel Francisco Lisboa, mais conhecido como o pai de Aleijadinho, em 1751, quando a Ordem do Carmo foi transferida do Rio de Janeiro para a então Vila Rica. Seu interior é composto por uma nave única e uma capela mór, e, ainda que o frontispício seja atribuído ao próprio Aleijadinho, acredita-se que foi concluído por algum dos seus inúmeros pupilos.

Almoçamos por ali mesmo, por volta da Praça Tiradentes, e depois caminhamos na direção contrária à das primeiras igrejas visitadas. Passamos por alguns pontos interessantes da cidade, como o Cine Vila Rica, o Fórum da cidade e a imperdível Casa dos Contos: provavelmente, o mais importante museu da região. Ali o objetivo é preservar a história do período mais importante de Ouro Preto: o Ciclo do Ouro. Com arquitetura predominantemente barroca, essa casa construída no final do século XVIII foi primeiramente a residência de João Rodrigues de Macedo, um importante contador da antiga Capitania de Minas Gerais.

Lá, ao longo dos anos, funcionou também a Casa dos Contratos e, na mesma época, era um dos esconderijos dos inconfidentes. Durante o período de repressão, o local acabou se tornando uma prisão para os participantes do movimento com títulos sociais elevados. Em 1792, devido ao grande número de dívidas que acumulou com a Real Fazenda, João utilizou a propriedade como pagamento, e esta foi transformada na Sede da Administração e Contabilidade Pública da Capitania de Minas Gerais, sendo intitulada como hoje é conhecida: Casa dos Contos.

Não vou entrar em muitos detalhes sobre o museu porque eu quero escrever um post todinho dedicado à ele. Então dali nós descemos o maior morro da viagem (quem já foi em Ouro Preto entende o drama dessa frase) em direção à praça Monsenhor Castilho Barbosa, onde está localizada a Basílica Menor de Nossa Senhora do Pilar. Ela, que foi construída ao redor de uma capela no final do século XVII, já foi um dia a mais rica da antiga Vila Rica, e seu Museu de Arte Sacra do Pilar abriga mais de 8 mil objetos reunidos desde a sua construção, até o final do século XIX.

Bem pertinho da igreja, ainda na praça, tem uma lojinha pega-turista onde a gente se divertiu horrores. Com uma seleção de souvenir e acessórios feitos com a pedra lápis lazuli, em um cantinho havia um cartaz anunciando que lá era possível tirar fotos com roupas de época. Minha mãe e minha irmã amaram a ideia de se vestirem como se ainda vivessem no Ciclo do Ouro, e não deixaram passar a oportunidade. Eu fiquei de fora, rindo muito das poses que as duas faziam pelas ruas de pedra da cidade.

Nossa última igreja do tour seria a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, famosa, principalmente, por abrigar o Museu do Aleijadinho, construído em 1968, porém, ela estava fechada para restauração e todo o conteúdo do museu estava na Basílica de Nossa Senhora do Pilar. Então, ainda que não foi possível fazer a visita, pudemos ter um gostinho quando visitamos o museu da outra igreja.

Encerramos nossa segunda noite em um bar delicioso (depois farei um post só com as dicas gastronômicas), tomando uma cervejinha e rindo do longo dia que tivemos. Na manhã seguinte tudo foi mais relax, já que a nossa “agenda” na cidade estava cumprida. Tomamos o café da manhã no hostel mesmo, fizemos check-out, batemos uma perninha pela praça e seguimos viagem de volta para casa. Foi pouco tempo, mas ainda assim, muito proveitoso. E eu já não vejo a hora de voltar mais e mais vezes à Ouro Preto.

Dica: As visitas às igrejas citadas são todas pagas. Variam de R$5,00 a R$10,00, e tem a opção de entrada para estudante. Como perceberam pelo post, não é permitido fotografar em nenhuma delas. A entrada na grande maioria dos museus também é paga, com exceção da Casa dos Contos. E também há a opção de meia entrada. Muitos ingressos são “acoplados” à outras atrações e, portanto, vale a pena tirar a dúvida lá no Centro de Atendimento ao Turista de Ouro Preto – local que deve ser a sua primeira parada na cidade.