A Menina Que Roubava Livros

Eu li A Menina Que Roubava Livros há muitos anos atrás. Logo quando foi lançado, o livro ficou durante muitas semanas dentre os mais vendidos na lista da Veja e, isto apenas, é um grande incentivo para que eu leia um livro. Eu sei, sou altamente influenciável.

Mas, voltando ao assunto, tá aí um livro que eu considerei difícil de ler: narrativa complicada, uma história que não te prende logo no começo, paciência zero para entender o que diabos a tal da morte estava querendo me falar. Aliás, esse foi outro fator que me chamou a atenção no livro: a Morte é quem narra a história. E, como na própria contra capa diz, quando a Morte resolve contar uma história, a gente tem que parar para ler. E, depois de 3 tentativas frustradas para conseguir pegar o fio da meada e desenvolver a leitura, resolvi desacelerar meu ritmo e ter um pouco mais de paciência com a nossa inusitada contadora de histórias.

No livro a Morte relata a vida de Liesel Meminger. Irônico, eu sei. Ela é apenas mais uma menina que nasceu e cresceu na época da Alemanha nazista, e, com cerca de 10 anos, se vê, junto com o irmão, sendo colocada para adoção pela própria mãe, que já não tinha mais condições de criá-los. Ainda no trem, seu irmão morre. Este é o primeiro encontro da morte com nossa protagonista.

Durante o funeral, Liesel acha perdido no chão um livro intitulado “O Manual do Coveiro”, que provavelmente pertencia ao rapaz que realizava trabalhos no humilde cemitério. Ela fica fascinada pela obra, ainda que não soubesse escrever e, muito menos, ler. Este é o primeiro roubo de livros da menina, o qual foi testemunhado pela Morte, que ali estava “recolhendo” a alma de seu irmão.

Ao longo da história, a Morte tem mais dois encontros com Liesel, e nos relata cada um deles, com detalhes que só alguém realmente impressionado por outra pessoa pode dar. Eu fico feliz de ter ultrapassado a barreira inicial desse livro e ter dado mais tempo para a senhora Morte me cativar. E esse é o conselho que dou à todas as pessoas que me reclamam a mesma coisa que eu achava no começo: que livro chato e difícil de ler.

Sim, ele não impressiona de início, mas desenrola uma história simples, porém tocante, de uma menina que se permitiu sonhar e pensar além, em uma época onde questionar valores e expressar opiniões contraditórias era o mesmo que bradar aos quatro ventos um desafio ao sistema que ali reinava.

Meu conselho é que todos deem uma chance à obra, ainda mais agora, quando o interesse pelo livro voltou a crescer, uma vez que saiu a versão cinematográfica. Eu não vejo a hora de conseguir assistir também. Acredito que, se conseguirem expressar apenas uma fração das emoções que o livro expressa, será um grande sucesso. Confiram o trailer: