1984

Meu primeiro livro da Rory Gilmore Bucket List foi o aclamado 1984, do indiano/britânico Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo George Orwell. Ele, que é considerado como um dos maiores cronistas do século XX, encabeça a lista dos autores mais vendidos da época. E ainda que não tenha rolado muito planejamento, eu acabei escolhendo-o por ser o primeiro na lista, sem perceber que ele é o tipo de livro ideal para lermos durante esse momento negro que estamos vivendo, tanto na política brasileira, quanto no cenário mundial.

O livro se passa em uma era “pós-revolução”, onde o mundo é dividido em 3 grandes territórios. O principal deles, e onde toda a história acontece, é a Oceania, que é composta pelo continente Americano, as ilhas Britânicas, a Islândia, o sul do continente Africano (abaixo do rio do Congo), a Austrália e a Nova Zelândia. Os demais “países” são a Eurásia, composta pelos países da antiga União Soviética e da Europa Continental; e a Lestásia, formada por países da Ásia e alguns arquipélagos do pacífico.

Controlado pela figura do Big Brother, ou Grande Irmão em português, a Oceania vive sobre o lema de três frases super simples, mas de amplo significado: “Guerra é Paz | Liberdade é Escravidão | Ignorância é Força”. São somente algumas palavras, mas seu poder é inexplicável. Ela atormenta a mente, não só dos personagens fictícios que vivem sob esse lema, como também a nossa, leitores, que estamos passando atualmente por um momento de extrema direita e pensamentos radicais. Confesso que durante toda a leitura esse discurso me incomodou profundamente.

Lógico que isso só faz sentido dentro do contexto da história, que é contada aos olhos Winston Smith, um funcionário do governo da Oceania que trabalha como uma espécie de escritor. Em seu cargo ele é responsável por reescrever a história de forma que todo o material físico disponível à população beneficie o Grande Irmão. Por exemplo: se foi divulgado que não haveria cortes no fornecimento do arroz e, no fim das contas, ocorre um racionamento, Winston é uma das pessoas responsáveis por reescrever a primeira notícia, além de destruir todas as provas que aquilo, de fato, não foi o que estava sendo veiculado anteriormente.

E assim é o dia a dia do seu trabalho, reescrevendo livros, matérias em jornais, publicações em revistas… Até que, certo dia, ele começa a imaginar se todos os horrores vividos pela população no período pré revolução, de fato, é verdade. Ou se tudo foi apenas uma invenção do suposto Grande Irmão para controlar a Oceania e seu povo, mantendo-os no escuro e sob sua política.

Na atual era Trump que, em tempos de globalização, não só os Estados Unidos está vivendo, mas todo o mundo (vide Brexit), jornais e revistas estão trazendo de volta o boom que foi este livro quando lançado. O New York Times declarou que 1984 é daqueles livros que você “tem que ler” em 2017, e agora estreou na Broadway uma adaptação da história para os palcos. Ela já esteve em cartaz em Londres anteriormente, mas a era atual reviveu o espetáculo, que ficará em cartaz na cidade de Nova York até meados de 2018.

Quem tiver a oportunidade, não só deve ler o livro, como assistir a peça. E depois me contem o que acharam!

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