Os 13 Porquês

Eu não me lembro bem quando li Os 13 Porquês. Talvez há uns 6 ou 7 anos atrás. Foi um livro que me marcou por um tempo – e acabou sendo encoberto por outras histórias lidas depois, morrendo aos poucos o grande impacto que teve dentro de mim. Ou melhor, foi parar lá no meu subconsciente. Até que, na última sexta, mesmo com vontade de dar continuidade na maratona de Grey’s que eu andei praticando toda a semana, desisti assim que percebi que a adaptação que o Netflix fez do livro já estava disponível.

A história é narrada em um grupo de 7 fitas cassetes e a voz que relata os fatos pertence à Hannah Baker: uma adolescente que, em um dia qualquer, tirou a própria vida. Mas antes disso, para expurgar de dentro de si todas as dores que a levaram a cometer o suicídio, ela grava 13 relatos nas tais fitas, onde enumera cada uma das razões pelas quais sua vida chegou ao fim. As fitas são deixadas com um colega de confiança e, após sua morte, são passadas à cada uma das pessoas da “lista” que contribuíram, de alguma forma, para que Hannah chegasse no buraco onde chegou.

O tema central do livro (e da série) é o bullying: bastante discutido, mas ainda menosprezado pela sociedade. Os problemas e as angustias de muitos adolescentes, na grande maioria das vezes, são diminuídos pelos adultos, que, com duas dívidas e seus problemas de saúde, adoram apontar o fato de que os filhos (ou outros jovens) “não sabem o que é ter problema de verdade“.

Poucas as vezes vocês vão me ouvir falar isso (ou me ver escrever): este é um caso onde a adaptação é tão boa quanto o livro – até melhor. E foi um conjunto de fatores que fez com que, em dois dias, eu terminasse os 13 lados das fitas de Hannah com vontade de passar adiante o meu amor pela série. Desde a produção impecável; a adaptação do reoteiro; os atores que, mesmo jovens, conseguiram dar profundidade aos seus personagens; e, principalmente a atuação do “casal” principal Clay e Hannah, interpretados respectivamente por Dylan Minnette e Katherine Langford, que foram capaz de transmitir para nós as dores, raivas, frustrações e angústias que seus personagens sentiam.

Na minha opinião, essa série (assim como o livro) vai se tornar material de escola. Vai ser usada no mundo em campanhas anti-bullying e eu ainda não encontrei algum outro tipo de “material de conscientização” que tenha um efeito tão forte quanto esse teve em mim. Além disso, o história trata de machismo, estupro, drogas e outros problemas e tragédias que afetam as vidas de jovens de todo o mundo, os quais, muitas vezes, não sabem com quem conversar ou onde procurar ajuda.

Essa produção foi sensacional e, certamente, vai abrir a cabeça de muita gente. Fiquei feliz pois, até mesmo a minha mãe, nada chegada nesses “dramas adolescente” parou para assistir e está passando para a família, os amigos e quem mais ela puder indicar. Assista e compartilhe você também!

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The Americans

Há alguns meses atrás eu li uma reportagem no The Guardian sobre um casal canadense que residia nos Estados Unidos e, aparentemente, formavam a típica família de propaganda de margarina: uma casa de classe média, um casamento feliz e dois filhos adolescentes que viviam seus dias sem saber que, na verdade, seus pais eram espiões russos da KGB infiltrados no país norte americano para coletar informações locais e executarem ordens que vinham lá do outro lado do mundo.

Parece coisa de ficção né? Tanto que inspirou uma aclamada série de televisão que há algum tempo faz sucesso nos EUA, mas que eu só descobri quando li este artigo. Em The Americans nós acompanhamos o dia a dia de Elizabeth e Philip Jennings, um casal que trabalha junto na pequena empresa de viagens da família e leva uma rotina aparentemente normal com Paige e Henry, seus filhos. Porém, eles não são de fato americanos, mas sim espiões Russos treinados desde cedo a viver uma vida criada para servir apenas como disfarce do que eles realmente são.

A série se passa no início dos anos 80, em tempo de Guerra Fria e mensagens em código. É impressionante o tipo de inteligência que essas pessoas tinham naqueles dias, afinal, a tecnologia não era tão desenvolvida, e era necessário muito mais do que super câmeras e alguns microfones para ter acesso à informações. Além disso, nos episódios conseguimos perceber as inúmeras facetas e todas as situações que um espião deve se sujeitar para que uma missão seja cumprida. Fascinante e desconcertante ao mesmo tempo.

Eu acho que o que mais me atrai na série é justamente isso: a realidade de como as coisas se davam naqueles tempos – e até hoje, se pensarmos que a espionagem acontece ainda nos dias atuais, porém, com um pouco mais de tecnologia. Essa fidelidade é possível graças ao fato de que o criador da série vem de dentro desse mundo: Joe Weisberg é um ex-agente do FBI e entende, como ninguém, o submundo da espionagem.

Contudo, ele afirma que, no final das contas, a série tem como trama principal o casamento deste jovem casal – e as relações humanas entre nós, indivíduos. Que o cenário internacional é apenas um detalhe na vida deles dois. Eu não sei bem se concordo. Sim, o casal é mais que interessante, mas toda essa trama que envolve o submundo da KGB certamente é o que me deixou mais que viciada. Tô até pensando em dar um pulinho na Rússia…

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Não Conta Lá Em Casa

O primeiro livro de 2014 teve um gostinho especial: já estava querendo lê-lo há algum tempo e trata de um dos assuntos que mais me fascina atualmente. O Não Conta Lá em Casa foi escrito pelo André Fran, que é um dos quatro viajantes/apresentadores do programa homônimo que passa no Multishow. Nele, ele relata em detalhes as viagens que nós assistimos no programa, todas para países que estão passando por algum momento crítico, como Iran, Iraque, Mianmar e Ethiópia.

Assistir programas de viagens é um dos meus passatempos favoritos, e, graças ao Não Conta Lá em Casa, eu abri os olhos para certos destinos que antigamente nunca entrariam para a minha lista de lugares a conhecer antes de morrer! E com o livro, este desejo só aumentou.

Ler sobre estes países “misteriosos”, esse povo tão diferente de nós, estas culturas fechadas e distantes é fascinante! Poder entrar em seu mundo e conhecer seus hábitos e costumes não tem preço, e só ficaria melhor caso pudéssemos estar com os meninos pessoalmente nesta viagem!

Da ingênua e recatada Song Yam, guia dos meninos na Coréia do Norte, ao bom monge Ananda, de Mianmar, André faz questão de retratar não só os destinos, mas as pessoas que fazem deles locais interessantes para visitarmos. Leitura indispensável para todos os viajantes de alma!

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