Bate e Volta à Veneza Saindo de Milão

Eu já contei aqui que tenho família em Milão e, a primeira vez que estive na cidade, aproveitei para visitá-los e fazer alguns programas turísticos por lá antes de seguir para Florença – a menina dos meus olhos e o motivo pelo qual eu estava na Itália. Porém, aconteceu da gente ter um sábado livre por lá, sem grandes programações. Veneza não estava no roteiro, mas ficava logo ali, então a gente resolveu aproveitar a oportunidade e ir conhecer essa cidade que dispensa apresentações.

Chegar à Veneza a partir de Milão não é nem um mistério, e a maneira mais fácil é, certamente, tomando um dos trens que saem das principais estações da cidade. A Itália possuem duas grandes companhias ferroviárias: a Italo, mais nova e com trens mais modernos, e a Trenitalia, que é mais tradicional e com maior oferta de destinos. Nós acabamos optando pela segunda, porém, sem qualquer motivo específico – apenas pelo fato de que suas passagens estavam mais baratas para o dia que tínhamos livre.

Enquanto decidíamos o roteiro da viagem, já percebemos que havia esse sábado “sem nada para fazer“. Conversando com a minha amiga que viajaria comigo, resolvemos fazer esse bate e volta para Veneza pois, apesar da cidade não estar nos nossos planos, ainda assim poderíamos aproveitar a oportunidade para conhecê-la. Então, logo que fechamos o destino do bate-e-volta, comecei a pesquisar passagens nos sites das companhias – e essa é a minha maior dica: quanto antes você pesquisa passagens de trem dentro da Itália, mais chance você terá de achar bons preços. Ainda mais para Veneza, que se mostrou um destino bem caro!

Comprei as passagens online, no site da Trenitalia, utilizando um cartão de crédito internacional. As passagens chegaram certinhas no meu e-mail e foi só imprimir e levar no dia. Nosso trem saiu da Centrale, a estação de trem central de Milão. Chegamos com uma hora de antecedência, compramos um café, entramos para a área de embarque e ficamos aguardando os telões mostrarem de qual plataforma sairia o nosso trem. Assim que encontramos, nos dirigimos ao vagão informado nas nossas passagens, onde também havia o número da poltrona de cada uma, já que as selecionamos ainda durante a compra.

Ao todo são cerca de 1:30h de viagem até Veneza. O trem é bem confortável: climatizado, com TV, wifi, banheiro e opções de comidas e bebidas a bordo. Chegando na cidade, existem duas grandes estações: Veneza Mestre, localizada na porção continental, e que só é aconselhável para quem tá hospedado por ali ou já tem algum “compromisso” na região, e Veneza Santa Lucia, que é de fato a estação que nos vem à mente quando pensamos na cidade, pois assim que saímos dos portões, já damos de cara com o grande canal e uma das muitas belas pontes espalhadas por Veneza.

De lá, basta seguir a multidão. Ou ir se perdendo pelas charmosas ruelas – você decide. Para quem tem pouco tempo, como nós, há plaquinhas informando o caminho para a Piazza San Marco, o principal e mais icônico ponto turístico na cidade. Pelo caminho, você passará por muitos cantinhos charmosos de Veneza, como a Ponte Rialto, que é imperdível e também está devidamente sinalizada nas ruelas dessa cidade mágica. Para voltar à estação não há segredo: siga as muitas plaquinhas que apontam a direção inversa, sentido Veneza Santa Lucia. Rapidinho você estará lá.

O bate e volta pode ser muito cansativo e, de longe, é a maneira ideal para se conhecer uma cidade. Eu, para ser sincera, gosto de viajar devagar e ter um bom tempo em cada cidade que visito, mas Veneza, que não estava nos planos, foi uma exceção do destino. Confesso que eu fui, simplesmente para riscá-la da minha lista. Nunca tive grandes interesses na cidade. Mas acredito que foi exatamente para isso que essas poucas horas serviram: me provar que eu estava redondamente enganada. E, por isso, está aqui a promessa de que eu voltarei – dessa vez, com muitos e muitos dias disponíveis!

Para conferir os horários disponíveis dos trens, preços e outras informações, acesse os sites das companhias:
Trenitalia: www.tremitalia.com.br
Italo: www.italotreno.it

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Pinacoteca de Brera

hoje o blog participa da #MuseumWeek:
uma blogagem coletiva entre os blogueiros da RBBV,
onde cada um conta um pouquinho sobre
algum museu de algum cantinho do mundo
vocês vem comigo para a Pinacoteca de Brera!

Eu já comentei aqui no blog sobre Milão e como a cidade leva uma fama de “pouco turística” injustamente. Aliás, vários tesouros da arte italiana e mundial se encontram por lá, e se você tiver que escolher apenas um museu para conhecer, minha opinião é que você deve escolher a Pinacoteca de Brera.

Ela está localizada dentro do belíssimo Palazzo Brera: uma construção do início do século XVII que leva este nome por estar situada no bairro de Brera. Além da Pinacoteca, o palácio ainda abriga a Accademia di Brera; o Orto Botanico di Brera; o Observatório Astronomico di Brera; o Istituto Lombardo Accademia di Scienze e Lettere; e a Biblioteca di Brera. Mas depois eu conto mais sobre o palácio.

Fundada oficialmente, com abertura para o público, em 1809, a Pinacoteca primeiramente teve seu acervo reunido e catalogado para estudos em 1776. Localizada nesta antiga região de bordéis milaneses, o museu foi crescendo e reunindo grandes obras da arte italiana e mundial, com nomes como Modigliani, Caravaggio e Raffaello. Estas primeiras obras foram reunidas durante o período da ocupação francesa, quando o então exército confiscava pinturas, telas e esculturas de igrejas e conventos da região da Lombardia e também do então Reino de Itália.

{Enfant Gras – Amadeo Modigliani}

Por este motivo, o “tema” principal do acervo da Pinacoteca é de cunho religioso, onde, dentre tantos tesouros, inclui pinturas de nomes importantes da história da bíblia, algumas peças de utilização em cerimônias católicas e ainda uma reconstrução do altar da capela de Santa Maria della Pace, localizada em Roma. Dentre as obras que englobam este universo, a que mais me tocou foi a Lamentação Sobre o Cristo Morto, do italiano Andrea Mantegna.

Como me interesso bastante sobre história da arte, mas não entendo do assunto, procuro ler sobre as obras que vou conhecer ou que já conheci. E, na época em que eu “estudava” o Cristo Morto, me lembro de ter lido que as mãos eram utilizadas no renascimento como “símbolo de nobreza”, e que está é uma das únicas (se não a única), retratação de Jesus Cristo, durante aquele período, em um ângulo onde suas mãos estão depreciadas. Esta característica, junto com a representação da morte, retrata um Jesus humano – diferente da divindidade que costuma ser celebrada no mundo das artes.

A parte dessa e de outras grandes obras – além da lojinha incrível da Pinacoteca (eu amo uma gift shop de museu) – uma coisa que me chamou muito a atenção foi a sala de restauração do local, que na verdade é esse imenso cubo de vidro, com climatização e maquinário super avançado, onde os artistas restauram peças centenárias aos olhos do público. Eu achei interessantíssimo, além de ser uma maneira ótima de “perceber” a complexidade deste trabalho.

Enfim, no geral, eu amei visitar a Pinacoteca e voltaria outras vezes, afinal, temos um limite de capacidade de processamento e eu fico realmente com a mente cansada quando visito locais com tantas obras e tantas informações. Infelizmente, não conseguimos absorver tudo. Mas, para quem vai pela primeira vez, tem algumas “jóias” que não podem deixar de ser visitadas:

Lamentação Sobre o Cristo Morto – Andrea Mantega (SALA VII)
Pietá – Giovanni Bellini (SALA VII)
Pregação de São Marcos em Alexandria do Egito – Gentile Bellini e Giovanni Bellini (SALA VIII)
Encontrando o Corpo de São Pedro – Tintoretto (SALA IX)
Tumulto na Galeria – Umberto Boccioni (SALA X)
Criança Gorda – Amadeo Modigliani (SALA X)
O Casamento da Virgem – Rafaello (SALA XXIV)
Pala Montefeltro – Piero della Francesca (SALA XXIV)
A Ceia em Emaús – Caravaggio (SALA XXIX)
O Beijo – Francesco Hayez (SALA XXXVII)
O Quarto Estado – Giuseppe Pellizza (SALA XXXVII)

Pinacoteca di Brera
Via Brera, 28
Milão – Itália
Tel: 02 722 63 264 – 229
pinacotecabrera.org
pin-br@beniculturali.it

ENTRADA:
€10,00 – Inteira
€ 7,00 – Tarifa Reduzida (válida para jovens de 18 a 25 anos cidadãos da EU e da SEE)
Menores de 18 anos tem entrada gratuita.

Maiores informações sobre os ingressos: pinacotecabrera.org/en/visit/tickets
Compra online de ingressos: www.vivaticket.it

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO:
Terças a Domingos – 8:30 às 17:15 (bilheteria fecha às 16:40)
Fechado todas as Segundas
Fechado também nas seguintes datas: 1º de Janeiro; 1º de Maio; 25 de Dezembro.

#MUSEUMWEEK

conheça outros blogs e leia sobre diversos museus
participantes da nossa blogagem coletiva

GERAL
A Fragata Surprise – Casas-museus: a vida cotidiana de gente muito especial
Despachadas – 5 Museus Interativos ao redor do mundo
D&D Mundo Afora – 9 Museus no Brasil

EUROPA

Alemanha
Tá indo pra onde? – Ilha dos Museus
Viajoteca – 5 museus inusitados em Berlin
Pelo Mundo Com Vc- Museu do Holocausto ou Memorial aos Judeus Mortos da Europa
Já Fomos – Visitando o Campo de Concentração em Dachau
Pequenos pelo Mundo – Museus de Automóveis na Alemanha
A Li na Alemanha – Museu Mercedes-Benz

Bulgária
Escolho Viajar – Museu Nacional de História Militar

Croácia
Rodinhas nos Pés – Museu Croata de Arte Primitiva

Espanha
Virando Gringa – Museo Atlantico
Comendo Chucrute e Salsicha – Museo de Artes y Costumbres Populares de Sevilla
Esto Es Madrid, Madrid – Museo de Altamira
Sol de Barcelona – Museu Joan Miro

França
Viagem LadoB – Museé D’Orsay
A Path to Somewhere – Centre Pompidou
Destinos por onde andei… – Louvre
Direto de Paris – Musée Rodin
SOSViagem – Museu do Louvre X Museu d’Orsay
Apure Guria – Antigo Egito no Museu do Louvre: incrível!

Grécia
Viaje Sim! – Museu Arqueológico de Delos
Fourtrip – Museus de Atenas

Holanda
Novo Caroneiro – Sexmuseum

Hungria
Juntando Mochilas – Museu do Terror

Irlanda
The Life of Isa – 4 museus gratuitos em Dublin

Itália
Passeios na Toscana – Palazzo Pitti
The Nat’s Corner – Pinacoteca de Brera
Vou pra Roma – Museus do Vaticano
Roma Pra Você – Galleria Borghese
Grazie a Te – Corredor Vasariano

Malta
Viagens Invisiveis – Palácio dos Grandes Mestres e Armarias

Reino Unido
No Mundo da Paula – Museum of London
Vamos Viajar – British Museum
Segredos de Londres – Victoria and Albert Museum
Mochilão Barato – Madame Tussauds

República Tcheca
Trilhas e Cantos – Museu do Comunismo

Rússia
Love and Travel – Museu Hermitage
Viajei Bonito – Museu da Vodka

Suécia
Viajar pela Europa – Museu Vasa

Suíça
Carta sem Portador – Fondation Gianadda

Turquia
Viagem a Dois – Palácio Topkapi
Travel with Pedro – Museu de Arte Islâmica e Turca

AMÉRICA DO SUL

Argentina
Sonhando em Viajar – Buque Museo Fragata A.R.A. “Presidente Sarmiento”

Brasil
Coisos on the go – Inhotim
E aí, Férias! – Museu Imperial
Outro blog – Museu do Amanhã
#KariDesbrava – Museu Nacional de Belas Artes
O Melhor Mês do Ano – Museu do Futebol
Cantinho de Ná – Museu do Frevo
De Cá Pra Lá – Museu Palácio dos Bandeirantes
Viagens que Sonhamos – Fundação Iberê Camargo
Nativos do Mundo – Museu da República
Atravessar Fronteiras – CCBB – DF
Embarque neste blog – Museu Casa Guilherme de Almeida
Vida de Turista – Museu de Ciências e Tecnologia da PUC-RS
Mel a Mil pelo Mundo – Museu Julio de Castilhos
Rodando pelo Ceará – 5 Museus Incríveis para Conhecer no Ceará
Devaneios de Biela – Museu Oscar Niemeyer (Museu do Olho)
Tirando Férias – Museu de Zoologia da USP
Viagem em Detalhes – Museu Catavento – Espaço Cultural da Ciência
Estrangeira – MAMuseu: Museu Histórico de Alcântara
Viajar Hei – Os Melhores Museus para Levar as Crianças entre Rio e São Paulo

Chile
Gastando Sola Mundo Afora – Museo Chileno de Arte Precolombino

Peru
De Mochila e Caneca – Museu da Inquisição

AMÉRICA DO NORTE

Estados Unidos
Família Viagem – Fernbank Museum of Natural History
Janela para o Mundo – Graceland
RenataPereira.tv – Bibliotecas e Museus presidenciais nos EUA
Aquele Lugar – Museu do Ar e Espaço
Fica Dica Viagens – Vizcaya Museum
Casal Califórnia – Museus no Balboa Park
Malas e Panelas – The Broad Museum
Felipe, o pequeno viajante – Museu de Anchorage, Alaska
Ideias na mala – Melhores Museus de San Francisco

México
Viagem de Fuga – Museu Frida Kahlo
Uzi Por Aí – Museu Soumaya
Eu Sou a Toa – Museus Casa-Museu de Frida Kahlo e Casa-Estúdio de Diego Rivera

ÁSIA

China
Like Wanderlust – Museu Qin e os Guerreiros de Terracota

Vietnã
Brazuka – Museu da Guerra (War Remnants Museum)

Japão
A Aventura Começa – Museu Meijimura

OCEANIA

Australia
Coordenadas do mundo – Museu de Arte Contemporânea

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Coisas Para Fazer de Graça em Milão

Tida como a cidade mais luxuosa da Itália e uma das capitais mundiais da moda do mundo, Milão também tem opções para quem deseja economizar:

> Visitar a Duomo está na lista de todas as pessoas que desembarcam em Milão. A igreja gótica mais famosa do mundo impressiona e, quando cheguei à cidade, fiz questão de sair do metrô na escadinha que dá de frente para ela – a cada degrau, um suspiro. Ainda que, durante a Expo, a visita à igreja custe 2,00 euros, no geral ela é gratuita.

> Logo ao lado da Duomo está a famosa galeria Vittório Emanuele – um reduto da moda que impressiona tanto na beleza da arquitetura, quanto das vitrines que estão ali dentro. No centro da galeria está o fatídico touro onde deve-se rodar três vezes sobre os testículos para trazer bona fortuna.

{interior da galeria}

> Aliás, para quem ama moda, um dos programas gratuitos mais legais é caminhar pelo Quadrilátero de Ouro, onde as principais maisons do país e do mundo possuem filiais e onde gente de todos os cantos do planeta vem para exercer o capitalismo.

> Saindo do centro, caminhar por Brera, definitivamente, foi meu programa favorito na cidade. O charmos bairro é o espaço mais “italiano” da cidade e eu adoro andar sem destino olhando vitrines e observando as pessoas. Passei por muitas lojas de design ou mais conceituais e acho que é uma ótima fonte de inspiração para a turma que gosta de trabalhar a criatividade.

{pátio interno do Castelo de Brera}

> Ainda em Brera, aproveite para visitar o pátio do Castelo de Brera, local onde está localizado a Pinacoteca – principal museu da cidade. Ainda que a entrada do museu seja paga, dá para explorar o pátio, a escadaria e alguns corredores do castelo, cheio de esculturas lindíssimas.

> Falando em castelo, o Sforzesco também tem entrada paga, mas o pátio interno também é gratuito – e lindo. Dá para caminhar, deitar na grama, ler um livro, tirar algumas foto. É um ótimo ponto de descanso antes de encarar o Parco Sempione.

{parco Sempione}

> Falando no maior parque de Milão, ele certamente é um dos melhores programas gratuitos na cidade. Passamos horas por lá, observado os milaneses que faziam atividade física, praticavam algum esporte ou apenas se reuniam com amigos para um piquenique. Atravessando o parque chegamos ao belíssimo Arco della Pace.

> Outra caminhadinha deliciosa pela cidade é pelo canal de Navigli. A região mais boêmia de Milão é daquelas para apreciar durante um fim de tarde. Caso se dê ao luxo de gastar um pouquinho, peça um drink durante a hora do Aperitivo – as comidinhas são por conta da casa durante o happy hour.

{Navigli}

No geral eu acredito que caminhar por Milão é o melhor programa que alguém pode fazer na cidade: além de não custar nada, a cidade é super compacta e plana, o que favorece os pedestres. Para mim, não há maneira melhor para explorar um novo lugar.

Estes foram os programas gratuitos que fiz pela cidade, mas certamente há tantos outros por lá. Para mais posts sobre Milão, confira o pequeno guia da cidade. Para outros posts sobre a minha viagem à Itália, não deixe de ver o guia do país.

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