Eu queria escrever sobre o Líbano, mas…

Preciso começar esse post divagando sobre as voltas que a vida dá.
Há menos de um ano atrás eu assisti um episódio do Globo Repórter sobre o Líbano…
Na ocasião, comentei com a minha irmã o quanto seria legal conhecer o país.
Hoje, cá estou eu: de volta de uma viagem de 10 dias por esse cantinho especial do mundo!

Eu tenho filosofado bastante sobre o poder do pensamento e o quanto a gente precisa ter cuidado com tudo aquilo que deseja. Enquanto visitava Harissa, a versão Libanesa da Virgem Maria, entrei na capela e senti uma forte vontade de fazer uma oração. Me ajoelhei, fechei os olhos e comecei a agradecer – porque, honestamente, estou vivendo um momento tão especial, que lágrimas me vem aos olhos quando eu tento descrever. Tudo que eu vinha pedindo para minha vida, eu consegui. Não há nada nesse momento que me falte. Chega a dar um medinho, pra ser sincera.

Eu atribuo isso à Deus, porque sou Católica e acredito que sim, ele escreve certíssimo por linhas tortas. Mas se você não é, pode “culpar” essa buena onda no fato de que eu trabalhei muito para chegar onde estou, que nunca duvidei de que eu fosse realizar os meus mais loucos sonhos, e que, sim, quando a gente tem pensamentos positivos, recebemos de volta resultados positivos. Mesmo acreditando no papel fundamental de Deus em todas as mudanças que ocorreram na minha vida, eu também acredito demais em todos os fatores acima. E, por tudo isso, hoje, gratidão, é a palavra que mais me vem à mente – ainda que todo mundo já tenha tomado um bode danado dessa nova forma de humble brag.

Ontem, durante o jantar com alguns colegas de trabalho, esse acabou se tornando o tópico da conversa em um determinado momento. Uma das minhas amigas me perguntou algo e o assunto direcionou para esse sentimento que eu venho tendo de nada estar faltando na minha vida. Comentei sobre o fato de 2017 ter sido o melhor e o pior ano que eu já vivi – e o quanto ambas as razões estão conectadas. No final, ela me fez uma declaração tão sincera, que nem sei bem se isso chocará você que está lendo esse post. De acordo com sua filosofia de vida, as vezes, para ser feliz, precisamos ser um pouquinho egoístas. Deixar de lado o que faz os outros se sentirem bem e focar em nós mesmos e naquilo que a gente quer para o nosso dia a dia.

Aliás, acabo de me recordar como o assunto começou: ela me perguntou se eu sentia saudades de casa e da família. Eu disse que, por mais triste que possa parecer, não – eu não tenho saudades. Claro, gostaria de estar presente em certos momentos, e sim, seria melhor estar vivendo tudo isso com eles. Mas, no final das contas, a oportunidade e a experiência que eu estou tendo aqui do outro lado do mundo tem um custo altíssimo: estar longe de todos. E é um preço que eu não só decidi pagar, como também não estou sofrendo por isso. Não tenho crises de choro, não sinto uma saudade sufocante e nem fico pensando em como vão as coisas lá no Brasil. Pelo contrario: foi uma escolha que fiz e continuarei fazendo enquanto ela me fizer tão feliz quanto me sinto hoje. Já estou com projetos pós-Paquistão e, se tudo sair como eu venho planejando, nem mesmo sei se conseguirei dar uma passadinha “em casa” quando deixar Islamabad.

E por mais que eu sei que serei criticada por isso, me recuso a carregar um sentimento de culpa por um segundo sequer. Sei que as criticas, talvez, não venham da minha família, que entende o quanto eu precisava viver tudo isso, mas de pessoas que estão de fora e não compreendem o porque dei essa “reviravolta” na minha vida. Continuarei a seguir meus sonhos e desejos com o mesmo afinco com o qual os persegui em 2017.  Afinal, foi essa “teimosia” e a decisão de ser um pouquinho egoísta, tao surreal e repentina para muitos, a responsável por me retirar de um estado depressivo, solitário e extremamente infeliz. Uma triste condição que nem mesmo eu me dava conta de que estava nela, mas hoje, vejo com tanta clareza e me proíbo a voltar para o mesmo lugar.

Pelo contrário: quero continuar meu trabalho com essa organização que mudou o rumo da minha carreira, quero voltar a estudar e me especializar nesse fantástico mundo que é a saúde publica internacional, quero sonhar novos sonhos e continuar a tira-los do papel, e, porque não, fazer tantas outras viagens inesperadas como essa, para o Líbano – que seria o foco desse post, mas que abriu as portas para, mais uma vez eu agradecer por tudo aquilo que Deus tem me proporcionado.

 

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