Mal-Entendido em Moscou: Meu Primeiro Simone de Beauvoir

Você pode nunca ter lido um livro da escritora francesa Simone de Beauvoir, mas se tem um mínimo de interesse por literatura, sabe que ela é um dos principais nomes do feminismo neste mundo das escritas. E foi devido ao fato de eu me inspirar em sua história, que acabei comprando sem muita pesquisa o livro que seria o último de sua carreira: Mal-Entendido em Moscou.

Nascida em Paris no início do século XX, Simone é retratada como escritora, intelectual, filosofa existencialista, ativista política, feminista e teórica social francesa. Filha de um casal da aristocracia, pertencia ao crème de la crème de Paris: foi educada em um colégio particular católico, cursou matemática no Instituto Católico de Paris, literatura e línguas no Sainte-Marie de Neuilly, e filosofia na Sorbonne: um dos grandes centros da intelectualidade européia.

Foi durante seus anos estudando filosofia que conheceu alguns nomes importantes da época dentro deste campo, como Maurice Merleau-Ponty, René Maheu e Jean-Paul Sartre – com quem viveu um relacionamento aberto até o fim de sua vida. Aliás, este foi um dos muitos estigmas quebrados por Simone, que caminhou contra tudo o que se esperava de uma “moça de boa família”, não aceitando a condição das tradições da época para meninas de sua classe social, onde a vida era composta de casamentos arranjados e formação de esposas exemplares.

E acredito eu que foi exatamente a liberdade de viver seu relacionamento da forma como achava melhor, e tendo poder de pensamento e discussão dentro da vida a dois, o que inspirou Simone a escrever Mal-Entendido em Moscou: uma obra que retrata a profundidade das questões que surgem entre um casal, uma vez que homem e mulher agem e reagem à situações cotidianas de maneira completamente distintas.

Na narrativa acompanhamos André e Nicole: um casal de professores universitários já aposentados que viajam até a antiga União Soviética para visitar Macha, filha do primeiro casamento de André. É a segunda vez do casal em Moscou e eles são ciceronizados na cidade pela jovem, que desperta em ambos pensamentos profundos sobre diversos temas que envolvem suas vidas, como o envelhecimento, o relacionamento e as expectativas políticas para a época.

Baseado em uma viagem que a própria Simone fez com Jean-Paul à União Soviética, o livro, que foi publicado em 92, seis anos após a morte da autora, explora não só a dualidade da vida a dois, como também o fato de que a forma de pensar de cada um dos indivíduos dentro desse relacionamento, assim como o fator que os guia (razão/emoção), pode influenciar de maneira profunda os caminhos que um casal irá tomar.

Um livro pequeno, mas com conteúdo tão rico. Aliás, esse foi meu livro de cabeceira durante todo o meu mochilão pelo Paraguai e o norte da Argentina, e posso dizer que me iniciei em Simone de Beauvoir com o pé direito. Não teria tido companhia melhor para esses 30 dias. Agora dois dos seus principais livros estão na fila para serem lidos, pois ambos estão dentro da lista do Rory Gilmore Bucket List: “Memórias de Uma Moça Bem Comportada” e “O Segundo Sexo”. Alguém por aí já leu algum deles?

16 comentários
  1. Que bacana, fiquei curiosa! Confesso que não curto muito ler Sartre, mas a Simone (olha a intimidade) ainda não conheci … kkk

    Clau
    @as_passeadeiras

  2. Muito boa dica! Acho que a obra mais famosa é O Segundo Sexo, que está na listinha da Rory. Ainda não li nenhum! Aliás…eu nem sabia que ela havia escrito ficção! Adorei!

    1. Exatamente. É a obra prima da vida dela. Minha irmã já está lendo – e eu já tô na fila para ler também!

  3. Nathalia, esse livro vai cair com uma luva pra sua amiguinha sexagenária aqui, que está vivendo mil conflitos,pensamentos e reflexões. Já anotei e vou comprá-lo semana que vem em SP. beijocas

    1. Ótima né? Eu também amo a série e tô adorando seguir a lista da Rory!

  4. Não conhecia a autora mas já digo que adoro livro que tb mostra o local, país que está acontecendo a história. Valeu a dica!

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