The Americans

Há alguns meses atrás eu li uma reportagem no The Guardian sobre um casal canadense que residia nos Estados Unidos e, aparentemente, formavam a típica família de propaganda de margarina: uma casa de classe média, um casamento feliz e dois filhos adolescentes que viviam seus dias sem saber que, na verdade, seus pais eram espiões russos da KGB infiltrados no país norte americano para coletar informações locais e executarem ordens que vinham lá do outro lado do mundo.

Parece coisa de ficção né? Tanto que inspirou uma aclamada série de televisão que há algum tempo faz sucesso nos EUA, mas que eu só descobri quando li este artigo. Em The Americans nós acompanhamos o dia a dia de Elizabeth e Philip Jennings, um casal que trabalha junto na pequena empresa de viagens da família e leva uma rotina aparentemente normal com Paige e Henry, seus filhos. Porém, eles não são de fato americanos, mas sim espiões Russos treinados desde cedo a viver uma vida criada para servir apenas como disfarce do que eles realmente são.

A série se passa no início dos anos 80, em tempo de Guerra Fria e mensagens em código. É impressionante o tipo de inteligência que essas pessoas tinham naqueles dias, afinal, a tecnologia não era tão desenvolvida, e era necessário muito mais do que super câmeras e alguns microfones para ter acesso à informações. Além disso, nos episódios conseguimos perceber as inúmeras facetas e todas as situações que um espião deve se sujeitar para que uma missão seja cumprida. Fascinante e desconcertante ao mesmo tempo.

Eu acho que o que mais me atrai na série é justamente isso: a realidade de como as coisas se davam naqueles tempos – e até hoje, se pensarmos que a espionagem acontece ainda nos dias atuais, porém, com um pouco mais de tecnologia. Essa fidelidade é possível graças ao fato de que o criador da série vem de dentro desse mundo: Joe Weisberg é um ex-agente do FBI e entende, como ninguém, o submundo da espionagem.

Contudo, ele afirma que, no final das contas, a série tem como trama principal o casamento deste jovem casal – e as relações humanas entre nós, indivíduos. Que o cenário internacional é apenas um detalhe na vida deles dois. Eu não sei bem se concordo. Sim, o casal é mais que interessante, mas toda essa trama que envolve o submundo da KGB certamente é o que me deixou mais que viciada. Tô até pensando em dar um pulinho na Rússia…

Leia Também