TOC de Viajante

Há algum tempo atrás li um post da Mari Campos, que é jornalista de viagens, sobre um tipo de mania que ela e outras pessoas que amam viajar tem. Descobri que também sofro desse mal e que, inclusive, compartilho com ela e com outros viajantes alguns transtornos obsessivos que eu achava que fossem apenas uma das minhas muitas particularidades.

Engraçado como esse negócio de TOC de viajantes é algo real. Depois do post dela, resolvi pesquisar no google sobre o assunto e encontrei uma grande quantidade de textos, posts e artigos de diversas categorias de viajantes relatando seus casos de obsessividade e metodologias antes, durante e após viagens.

E foi assim, no aeroporto de Vitória, enquanto eu tomava meu café às 5 da manhã e esperava para embarcar em um voo para o Rio de Janeiro, que eu me inspirei e abri o computador para escrever sobre os meus 10 principais comportamentos obsessivos relacionados com viagens:

1. Eu faço todo um planejamento para viajar, não importa o tamanho da viagem. Mesmo sendo um final de semana em Vitória, sempre há uma meia dúzia de check lists, que vão desde os itens da bagagem até coisas a fazer lá no meu destino. Para viagens maiores ou on a budget, faço, inclusive, planilhas no Excel para auxiliar no meu planejamento financeiro. Além disso, ainda monto roteiros dia a dia e já seleciono em quais restaurantes eu quero comer durante os dias da viagem. Por mais que, quando chego no destino, acabo me deixando levar pelo local e o que ele me reserva, ainda assim não saio de casa sem meu roteiro.

2. Porém, apesar de fazer muitas pesquisas e montar meu próprio roteiro, eu sempre compro um guia impresso. O grande problema é que ele, de fato, é usado pouquíssimo no planejamento da viagem. Minhas fontes são, em grande parte, blogs. Mas o guia embarca junto comigo e com o roteiro, além de ficar comigo na bolsa. E sempre eu dou uma checadinha caso tenho dúvidas ou precise de alguma dica de última hora. E e eu os uso muito. Juro.

3. Eu crio uma espécie de biblioteca multimídia para cada viagem. Baixo séries, filmes e livros no tablet. Musicas no iPod. Joguinhos e aplicativos no iPhone. Organizo pastas de arquivos no notebook. Monto mapas e mais mapas no Google. E, ainda que os arquivos e mapas sejam, obviamente, sobre o destino, o incrível é que as demais mídias também tem tudo a ver. Tento deixar tudo sempre dentro do tema da viagem. É como encher seu iPod de bossa nova para um final de semana no Rio de Janeiro.

4. Eu sempre viajo o mais confortável possível – as vezes, me sinto até desarrumada: camiseta podrinha, calça legging, um casaquinho por cima, pashmina e sapatos baixos – geralmente, sapatilhas – são meu uniforme para viajar. E nunca, nunca nessa vida vou entender quem viaja de salto ou completamente montado.

5. Eu sempre, SEMPRE, faço o check-in online. Adoro coisas que facilitam a nossa vida. E só de não precisar pegar aquelas filas enormes no aeroporto, já vale a pena eu tirar esse tempinho dias antes de voar. Mas, apesar de ser ultratecnológica, eu também sempre, SEMPRE, imprimo meu cartão de embarque. Sabe como é né, gosto de tê-lo ali, em mãos, para checar mil vezes o horário do meu voo.

6. Um dos itens que posso citar aqui e com o qual eu tenho um comportamento verdadeiramente obsessivo é o horário. Não sou a mais pontual em festas ou encontros com os amigos, mas se tenho um compromisso sério, como um voo, gosto de estar adiantada. Chego super cedo ao aeroporto. SEMPRE. Despacho minhas malas caso necessário e já começo a minha rotina de viagem que eu amo: passo na revistaria e compro algo para ler (mesmo já tendo baixado 3 mil livros), compro um café, encontro uma mesa, faço check-in no foursquare, posto uma foto no instagram, abro meu notebook e fico a perambular pela internet. Até a hora de embarcar.

7. Outro fator que, creio eu, me faz chegar cedo ao aeroporto, é que eu tenho verdadeiro pavor de perder o voo. Não é porque eu poderia não ser encaixada no próximo ou porque eu teria que comprar outra passagem, mas porque mexe com a minha programação – e vocês já perceberam como eu sou aloka do planejamento. Eu costumo preencher todos os segundos de uma viagem com coisas a fazer e, perder um voo bagunçaria completamente meu itinerário. Por isso também eu volto ao item 5, e checo de 5 em 5 minutos o horário do voo, ou fico verificando outras coisas: se estou com o cartão de embarque, se estou com o passaporte, se trouxe o outro passaporte com o visto, se a validade está mesmo okay, cadê as reservas do hotel, os vouchers de atrações… Qual era mesmo o horário do voo?

8. Eu sempre viajo com uma mala de mão – despachando bagagem ou não. E nela tem sempre as mesmas coisas: eletrônicos, coisas que não posso ficar sem, coisas que tem valor inestimável para mim e duas mudas de roupa. Nunca se sabe quando a sua mala será a sorteada para extraviar. E, hoje em dia, graças a Deus, está cada vez mais raro eu despachar mala e minha mala de mão tem se tornado minha verdadeira e única companheira de viagem.

9. Um dos itens que eu tenho em comum com vários viajantes, inclusive a Mari, e que me chamou muita atenção (porque até então eu achava que isso era loucura da minha cabeça) é que eu me sinto mais segura em aviões maiores. Deixa eu explicar: eu não tenho medo de voar. Não mesmo. Quer dizer, tenho aquele medo racional que todo mundo tem. Mas, por incrível que pareça, eu fico bem mais tranquila quando viajo em aviões maiores, o que é meio sem nexo, uma vez que quanto maior o avião, mais pesado e mais chance de cair (de acordo com a lei da gravidade!). Mas, para mim, a sensação de sentir ele “andar” mais rápido e tremer menos me dá mais segurança. E, com exceção da decolagem e da aterrizagem, me sinto em casa.

10. E, por fim, eu não chupo bala ou chiclete. Nunca. Porém, desde novinha, minha mãe sempre me dava um dos dois em vôos, para eu mastigar, pois o movimento evita que os ouvidos tampem. E eu não viajo nunca sem um chicletes na bolsa – já compro junto com o café. E na única vez que viajei sem mascar chicletes, quase morri de dor de ouvido. Portanto, nunca mais.

Então, estes foram meus 10 principais TOCs. E aí, mais alguém cheio de transtornos compulsivos por aí?

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